Japão 1983 - foto em Kodachrome por Roberto Pereira

#ishootfilm com prazer

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Não tenho como dizer que a fotografia analógica seria melhor para os dias de hoje do que a fotografia digital. Sou do mercado editorial e sei da infinidade de vantagens que a era digital nos trouxe por conta dos sensores e pixels das máquinas atuais, para enumerar duas que realmente fizeram o mercado mudar, primeira: a super agilidade por conta de cortar processos como a revelação e digitalização dos cromos ou negativos e, segunda: a “limpeza” das imagens digitais sem a interferência dos processos químicos e mecânicos, como a má qualidade da revelação ou o mal manuseio dos originais trazendo sujeiras, riscos, impressões digitais ou o famoso “anel de Newton” por conta de um cromo mal colocado no cilindro do scanner. Diminuindo o tempo e custo de produção, não tem 35mm, médio ou grande formato que faça sentido mantê-lo como default para qualquer indústria ligada a fotografia.

Dito isso, tem algo que, por mais que tentem me convencer, não consigo achar que a fotografia digital tenha um resultado final como se tinha na fotografia analógica. Poderia aqui ficar falando do lado romântico que existia em você ter que pensar a foto antes de fazê-la, economizar e se adiantar ao clique que você daria por conta do limite de fotos no filme, saber realmente controlar a fotometria e elaborar a composição, pois o resultado de sua foto só seria visto horas ou dias depois. Falando isso não estaria provando em nada que a fotografia analógica é melhor que a digital e sim, que o fotógrafo de máquina analógica tinha que entender mais de fotografia que o fotógrafo de máquina digital, rs.

O fato é que hoje nos acostumamos a cores e desfoques diferentes ao que se tinha nos tempos áureos do filme. A interpretação da imagem no sensor não é a mesma que no filme, por mais que utilizemos a mesma lente nas duas câmeras, com o mesmo diafragma, com a mesma velocidade e o mesmo ISO. O resultado é diferente, o “DOF” é diferente, as cores são diferentes. Mas é melhor? Na minha opinião, sim. A passagem das cores no filme é mais suave, a profundidade das cores é maior, mesmo depois de digitalizado. Se for ampliar para o papel então, aí a diferença é maior ainda. Não quero entrar no mérito da resolução, do grão versus o pixel, porque aí fica mais polêmico ainda, e eu não tiro foto para fazer super ampliações, no máximo uma página dupla para as revistas que, com qualquer câmera de 14 megapixels você consegue ter resolução suficiente para a impressão.

Onde eu quero chegar? A fotografia com filme atinge resultados diferentes da fotografia digital, e na minha opinião, resultados mais bonitos, desfoques mais bonitos com profundidade de campo e profundidade de cores que você não alcança com a foto digital. Quer super cores com super contrastes e super nitidez? Use a digital. Quer cores e contrates suaves ou mais próximos ao que você realmente está vendo, com “Bokeh” incríveis em aberturas a f/3.5? Use a analógica. E eu gosto mais.

Enfim, basta olhar uma foto digital e uma foto analógica, crua, sem tratamentos e filtros aplicados, que você entenderá o que estou tentando dizer. Quem quiser ver resultados da fotografia cor analógica durante 75 anos, de 1935 a 2010, quando a Kodak parou de fazer os químicos para a revelação Kodachrome, entre no link abaixo. São fotos profissionais e amadoras, com diversos tipos de câmeras:

http://gearpatrol.com/2015/03/18/photo-essay-remembering-kodachrome/

Lembrando que ainda podemos revelar os filmes negativos cor e pb normalmente, apenas o processo Kodachrome  k-14 que não é mais viável.

Ps.1. A foto acima é um Kodachrome de 1983 (slide) fotografado por Roberto Pereira em uma Nikon FM2

Ps.2.  Foto PB analógica versus a foto PB digital, será um outro post.

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